“Para nossa filha, ‘autista é uma pessoa que tem medo de aniversário, de balão… E de foguete também!’. Uma resposta mais elaborada, no entanto, costuma ser mais complexa.
O rótulo ‘autista’ diz pouco sobre o portador do autismo. Ele pode apresentar sintomas e graus de comprometimento que variam grandemente. Há casos de dependência extrema e outros em que o paciente tem apenas algumas manias estranhas. Assim, para explicar quem é o autista, é preciso conhece-lo a fundo. Que limitações ele apresenta? Quais são as suas manias, os seus medos e, principalmente, as suas habilidades?
A nossa Mariana, por exemplo, tem um autismo muito leve que, às vezes, até passa despercebido. Isso não diminui, contudo, o tamanho do desafio que enfrentamos porque, em qualquer caso, grave ou leve, é preciso buscar o máximo de independência possível para que o portador tenha uma vida produtiva e feliz, enfrentando, ou contornando, as suas limitações.”
Esse trecho do prólogo de “Mariana no Mundo dos Saltisonhos”, livro escrito por Cinara Machado e Marco Aurélio Barbiero, evidencia o caráter informativo, porém sensível da narrativa inspirada pelo convívio diário com a filha portadora de autismo.
Caracterizada pelo próprio autor como um misto de desabafo e humor, a obra insere o leitor, por meio de um texto íntimo, no universo de possibilidades e de inseguranças vivenciadas, enquanto se procura desempenhar a tarefa de oferecer ao autista os meios para que desenvolva sua autonomia.
Por isso, o livro, apesar de fazer menção ao conhecimento científico, debruça-se, essencialmente, sobre o poder transformador do amor, como comentou a psicopedagoga Daniella Maciel, anfitriã da solenidade de seu lançamento – realizada em outubro, no Colégio Notre Dame – instituição de ensino onde a menina que inspira a personagem “Mariana” constrói saberes e muito ensina.
“O lançamento não podia ser em um lugar diferente, porque a gente tem uma gratidão enorme pelos professores maravilhosos, pelos colegas, pelos funcionários e pela direção que permitem que nos sintamos muito tranquilos em deixar nossa filha aqui, sabendo que ela cresce e que quem a acompanha está disposto a crescer e a se adaptar”, comemora Cinara.